No dia 8 de setembro, a Igreja celebra a Festa da Natividade (nascimento) de Nossa Senhora, “da descendência de Abraão, nascida da tribo de Judá, da linhagem régia de David, da qual nasceu o Filho de Deus, feito homem por virtude do Espírito Santo, para libertar os homens do pecado. Esta festa, de origem oriental, foi introduzida pelo papa Sérgio I (século VII). Aurora que precede o Sol de justiça, Maria preanuncia a todo o mundo a alegria do Salvador”.
É desta forma que a liturgia da Igreja nos introduz nesta festa e que em Lamego adquire o sugestivo nome de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira da cidade e uma referência regional e nacional. As festas dos Remédios constituem uma das sete maravilhas de Portugal e a Procissão de Triunfo é património imaterial do povo português.
São dois os momentos deste dia festivo, a celebração solene da Eucaristia, presidida pelo Sr. Bispo, D. António Couto, e a referida Procissão de Triunfo. Como manda a tradição, os devotos reuniram-se no santuário, enchendo a Igreja e espalhando-se pelo adro. Alegria, devoção, fé e festa para prestar homenagem a Nossa Senhora e para nela nos encontrarmos com o Seu filho Jesus.
Depois da saudação aos sacerdotes presentes e às autoridades, aos cristãos, peregrinos e devotos, o Sr. Bispo, D. António Couto, partindo da festa litúrgica da Natividade de Maria, sublinhou como a Solenidade de Nossa Senhora dos Remédios acrescenta motivos para os índices de alegria. “Sendo a padroeira principal da nossa cidade [de Lamego], ela é também a casa, a mesa, o pão, a porta principal da nossa cidade, ela é a Senhora da nossa cidade, ela é a Mãe, ela é o coração, ela é até, está bom de ver, o lugar do pão da nossa cidade. Ela é figura e porta-voz do essencial. Tem cumprido bem a sua missão de padroeira, velando todos os dias por esta cidade, acolhendo aqui todos os que a ela acorrem com as suas dores e suas flores. Ela tem honrado e dignificado o padroeiro. Amados irmãos e irmãs desta cidade, vamos ter nos perguntar também se temos feito tudo o que devíamos fazer para honrar e dignificar a nossa padroeira”. D. António sintonizou com as súplicas dos devotos e peregrinos: “Rezo para que encontreis aqui, no regaço maternal de Nossa Senhora dos Remédios o alívio e o alento que procurais. Convidou a fixarmos o nosso “olhar na imagem de Nossa Senhora dos Remédios, e vede com o coração olhar com o coração, o seu regaço maternal e a sua dedicação total àquele Menino que ternamente acalenta e amamenta… E eu também sei que aquela Mãe, sempre solícita, feliz e encantada, às vezes triste, tem lugar garantido no vosso coração”.
Na parte de tarde a Procissão de Triunfo, com os diferentes andores. Os andores deste ano foram: Santíssima Trindade, como fonte da comunhão nos 250 anos da Dedicação da Catedral; São Teotónio, o primeiro santo português; São Carlos Acutis, o influencer de Deus; Nossa Senhora da Assunção, e Nossa Senhora dos Remédios, nos 265 anos da fundação do Santuário.
A procissão começou na Igreja das Chagas, seguindo o percurso habitual, por algumas ruas da cidade, até à Igreja de Santa Cruz. Após as orações finais e as honras militares, a procissão continuou com a imagem de Nossa Senhora dos Remédios, levada para o Santuário. Refira-se que a imagem é introduzida na Igreja com o rosto virado para a cidade.
Programa religioso
Tão grande festa é precedida pela novena, de 30 de agosto a 7 de setembro. Sobre a novena veja-se a reflexão e enquadramento da mesma no respetivo texto enviado pelo Santuário.
A anteceder a Procissão de Triunfo, a Procissão do dia 6 de setembro, este ano no passado Domingo, com a Imagem de Nossa Senhora dos Remédios, em andor, descendo à cidade, em direção à Igreja das Chagas. Manhã muito cedo, como nos outros dias da novena, a recitação do Terço e a celebração da santa Missa. D. António Couto presidiu à Eucaristia e à Procissão. Significativa multidão presente na novena e que se perfilou também para este dia, com a presença dos escuteiros e dos militares; o transporte do andor foi em ombros.
Posteriormente a imagem será colocada e preparada no andor que segue na majestosa Procissão de Triunfo, transportado por juntas de bois.
No Domingo, 30 de agosto, destaque para mais uma das festas da cidade de Lamego, a festa em honra de Nossa Senhora da Esperança, com a Eucaristia festiva na capela que lhe é dedicada e Procissão em sua honra.
Tradições que são história
Três semanas de festas, com um cardápio para todos os gostos. As festas iniciaram a 27 de setembro, com a presença da Ministra da Cultura, com um espetáculo de luzes, utilizando drones, seguindo-se a atuação dos Xutos & Pontapés.
Muitos cantores e grupos musicais, como Santamaria, Os Quatro e Meia, Plutonio, Sara Correia, Vizinhos, Em Casa d’Amália, Filipe Sequeira, Sons do Minho, Uskadkasa, Arkadia, animação de bombos pela cidade, DJ’s, “Comes e bebes” para todos os gostos e para diferentes bolsas, presença de feirantes, roupa e calçado, brinquedos, louça, ferramentas para a lavoura e para o jardim, carrinhos de choque e afins.
Festivais, encontros, torneios e concentrações com história e tradição: Torneio de Minigolfe; Concentração Motard, Voleibol de Praia, Torneio Cidade de Lamego (Sporting Clube de Lamego); Taça Chico Caride (Sporting Clube de Lamego); almoço dos Antigos Alunos do Liceu; Festival de Folclore da Cidade Lamego; Bairro dos Bares à Romaria; Cortejo Etnográfico; Dia Nacional das Bandas Filarmónicas; Festa da Rádio Douro Nacional; Aniversário do Núcleo de Lamego dos Antigos Combatentes; Encontro dos Amigos de Fafel; Grande Feira Franca, e tantas outras iniciativas. Arruadas, fogo de artifício, bailes!
Destaque para a Marcha luminosa, a 6 de setembro, e para a Batalha das Flores, no dia 7.
O grande dia é a 8 de setembro, com a Missa festiva e com a Majestosa Procissão de Triunfo, mas as festas terminam a 9 de setembro, com música, este ano com o grupo Arkadia, com espetáculo piromusical e, pelas 24h00, sessão de fogo de artificio nos quatro cantos da cidade.
Finalizam-se as festas que cada ano trazem milhares de pessoas à cidade de Lamego, uns pela música, outros pelo desporto, outros pelos comes e bebes, pelo convívio, outros pela dimensão religiosa, cumprindo tradições e renovando as promessas de cá voltar. Aos que estamos cá, cabe-nos acolher com fidalguia, não apenas nas festas, mas ao longo do ano, para os que vêm se sintam verdadeiramente em casa.
in Voz de Lamego, ano 96/40, n.º 4865, de 9 de setembro de 2026



