De três em três anos, os diáconos, padres e bispos de Portugal são convidados a um encontro de formação, de partilha e de oração, durante três dias, em Fátima, denominado o Simpósio do Clero. O Santuário disponibiliza as instalações do Centro Pastoral Paulo VI, e cada diocese se encarrega de encontrar, entre hotéis e casas religiosas, lugar para dormir e fazer as refeições diárias.
À semelhança das últimas edições, aconteceu entre os últimos dias de agosto e os primeiros de setembro. À diferença das últimas edições, este simpósio iniciou os trabalhos antes da data marcada. Sobre o tema “Irmãos no Sacerdócio e Testemunhas do Evangelho”, este congresso começou a ser preparado antecipadamente, tanto pelos oradores como pelos participantes. Os primeiros pensando e redigindo as conferências que seriam proferidas durante aqueles três dias. Os segundos respondendo a um inquérito anónimo, no momento da inscrição online, sobre “Os desafios da vida sacerdotal em Portugal”, que pretendia recolher dados acerca da forma como cada clérigo cuida de si a nível emocional, espiritual e psicológico.
Durante a sessão de abertura, na tarde do primeiro dia, tiveram intervenção o Presidente da Comissão Episcopal para as Vocações e Ministérios; o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa e o Núncio Apostólico em Portugal, que surpreendentemente tornou pública uma mensagem de Sua Santidade, o Papa Leão XIV, pedindo que “nos diferentes encontros e nos diálogos informais, sem se abençoarem entusiasmos ingénuos nem se acalentarem medos estéreis, evitando palavras que humilham ou dividem, multiplique-se a franqueza que ilumina, aquece e abre caminhos”.
Os trabalhos iniciaram com a intervenção do Padre Miguel de Salis Amaral, professor da Pontifícia Universidade de Santa Cruz, em Roma, e Consultor do Dicastério das Causas dos Santos, entre outros encargos, que proferiu uma conferência intitulada Caminhos de integração entre o saber e o sentir na vida sacerdotal.
O segundo e terceiro dias foram preenchidos entre conferências e trabalhos de grupo. As conferências, a cargo do Padre Fábio de Freitas Guimarães, doutorado em Psicologia e Professor nessa área, na Universidade Católica de Petrópolis, no Brasil, versaram sobre as seguintes temáticas: Caminhos de integração da vida espiritual e pastoral; Fraternidade sacerdotal: um desafio redentor; Caminhos para o acompanhamento e o cuidado das pessoas; Missão evangelizadora e desafios culturais e digitais no contexto atual. É aqui que se inicia um formato novo do Simpósio, diferente das edições anteriores. A seguir a cada conferência, em que iam sendo apresentados os resultados do inquérito feito na altura das inscrições dos participantes, havia trabalhos de grupo compostos: uma vez por províncias eclesiásticas, outra vez por tempos de seminário e outra vez por afinidades territoriais. Cada grupo tinha o suporte de um questionário online, em que as respostas dos intervenientes eram submetidas de imediato na plataforma digital, que permitia logo de seguida o tratamento dos dados, feito pela equipa organizadora do Simpósio, e possibilitava assim a apresentação das conclusões na prelação seguinte.
O enunciado final dos três dias de trabalho levanta questões bastante pertinentes sobre a forma como os clérigos vivem a sua missão, e as condições humanas e comunitárias em que essa missão é desenvolvida, num tempo com desafios muito específicos e onde se impõe a necessidade de relações fraternas vitalizantes.
Independentemente do formato, o Simpósio do Clero é sempre uma oportunidade de excelência para o reencontro dos sacerdotes das várias dioceses, para a partilha de experiências e para o convívio, que este ano foi reforçado com uma noite de concerto musical, seguido de um faustoso lanche resultante da partilha de iguarias das várias regiões do país. Dos cerca de 250 clérigos participantes de todo o país, dez eram da diocese de Lamego.
Pe. Diamantino Alvaíde, in Voz de Lamego, ano 96/40, n.º 4865, de 9 de setembro de 2026



