Dia 5 de julho, vai ser Ordenado Sacerdote o Diácono Tiago Fonseca. Para ficarmos a conhecê-lo um pouco melhor, conversamos com ele, colocando algumas questões.
Voz de Lamego: Tendo que te apresentar, que dirias aos nossos diocesanos?
Diácono Tiago Fonseca: Sou o Tiago Fonseca, tenho 25 anos, sou natural da Paróquia de São Tiago de Piães, Concelho de Cinfães onde vivi e cresci até aos 15 anos. Nessa altura, mudei-me para o Seminário de Nossa Senhora de Lurdes em Resende. Mais tarde, aos 19 anos passei a frequentar o Seminário Interdiocesano de São José, em Braga. Fui ordenado diácono no dia 23 de novembro de 2025. Atualmente vivo na Beselga, onde estou a realizar o meu estágio pastoral.
Voz de Lamego: Como chegaste aqui, desde a descoberta da vocação até à decisão?
Diácono Tiago Fonseca: Todo o meu percurso surgiu de forma simples, na infância, ao dizer que queria ser padre. Um destes primeiros momentos em que o disse foi no ensino primário quando a professora perguntou qual seria a profissão que gostaria de ter no futuro e eu respondi que queria ser padre. Nessa altura, como era muito novo, ainda não sabia o que era o Seminário. Como gostava muito de música, fui para a banda de música da minha terra, Associação Cultural e Banda Filarmónica de Santo António De Piães e consequentemente para a Academia de Música de Castelo de Paiva que frequentei durante cinco anos. No entanto, com o passar do tempo entrei para os acólitos da minha Paróquia: acontecimento único que me marcou de forma significativa. De seguida, pelo nono ano de escolaridade, fui convidado por um colega para ir fazer um Pré-Seminário, que consiste num encontro, durante um fim de semana, de conhecimento e de experiência do dia-a-dia de um seminarista. Foi uma experiência boa e motivadora que no ano seguinte me impulsionou a entrar para o seminário. Mais tarde, integrei-me no grupo de jovens da minha Paróquia, tendo a oportunidade inesquecível de poder viver a Jornada Mundial da Juventude de 2023. Mais recentemente tive a graça de viver o Jubileu 2025. De muitas experiências motivadoras ao longo desta caminhada, a que mais fortaleceu a minha vocação foi frequentar os Convívios Fraternos. Foi uma experiência única em que senti verdadeiramente que o meu caminho é sem dúvida seguir Jesus. Para enriquecer ainda mais este caminho destaco o berço que me viu nascer e crescer, a minha Paróquia. Ao longo desta caminhada sinto firmemente que tem sido muito importante a minha família e o meu Pároco no crescimento da minha vocação.
Voz de Lamego: O que pesou mais na decisão de avançar para o sacerdócio e quais as perguntas que te fizeste?
Diácono Tiago Fonseca: Ao longo deste caminho, o que pesou mais na decisão de avançar para o sacerdócio foi sobretudo a entrega, uma entrega total e generosa e saber que já vinha comigo desde a infância. Ao longo do percurso, encontrei alguns desafios como qualquer jovem encontra no caminho que decide seguir, como a exigência da entrega, o cansaço, aquilo que as pessoas vão dizendo menos positivo. No entanto, o maior desafio que encontrei foi a vida comunitária, desde o meu primeiro ano de seminário, esta que é uma graça, mas enquanto não estamos integrados pode ser uma dor de cabeça e até um desconforto. No entanto, para mim, todos os desafios são superados através da oração, uma oração viva com Jesus Cristo presente em cada ação que realizo em cada dia.
Voz de Lamego: Quais são os maiores desafios para um jovem que está a caminho do sacerdócio? E para a Igreja?
Diácono Tiago Fonseca: O maior desafio para um jovem que está a caminho do Sacerdócio, será, certamente o de permanecer unido a Cristo e ao Seu amor. Como eu, acho que cada pessoa também encontra desafios como os que evidenciei há pouco: exigência da entrega, o cansaço, a vida comunitária. No entanto, creio que todos eles podem ser superados através da oração viva e do verdadeiro encontro com Jesus Cristo.
Para a Igreja, o maior desafio que se coloca é sobretudo a evangelização, dar a conhecer Jesus que nos chama, que nos ama, que nos toca e que nos olha a outras pessoas para que, também elas possam encontrá-Lo e viver verdadeiramente o Evangelho.
Voz de Lamego: Situando-nos sobretudo na nossa diocese de Lamego, as maiores dificuldades e as maiores potencialidades que se encontram nas nossas comunidades?
Diácono Tiago Fonseca: As maiores dificuldades que encontro na nossa diocese de Lamego são sobretudo o envelhecimento e desertificação. É notório que os jovens vão saindo do interior para uma vida universitária, procura de emprego, melhores condições de vida. Por isso, já não esperamos grandes multidões o que pode ter como ponto positivo o acompanhamento pastoral mais pessoal, atento e próximo.
Nas nossas comunidades vejo como maiores potencialidades a entrega sincera e generosa por parte das pessoas. Uma ligação à comunidade profunda e sempre com o pensamento de fazer mais e melhor o que é terra fértil para o Evangelho dar frutos.
Voz de Lamego: Uma palavra para os nossos seminaristas e para aqueles que ponderam entrar no Seminário?
Diácono Tiago Fonseca: Os nossos seminaristas, que a todos conheço e aos quais tenho grande amizade. Agradeço a todos eles por tanto bem recebido, por tanta aprendizagem que ao longo do tempo de seminário passei com todos eles ajudando-me a superar algumas dificuldades que foram surgindo ao longo do caminho.
Aos jovens que ponderam entrar no seminário lanço-lhes o desafio que Jesus lançou aos seus discípulos ao dizer “Vinde e vereis” (Jo 1,39). Não tenhais medo de ir conhecer Jesus, de descobrir e de aceitar aquilo que Jesus coloca no vosso coração.
Voz de Lamego: Qual o lema que escolheste para a tua ordenação Sacerdotal e porquê?
Diácono Tiago Fonseca: O lema que escolhi para a minha Ordenação Sacerdotal, são as palavras que Jesus dirige aos seus discípulos: “Permanecei no meu amor” (Jo 15,9), um amor radical, definitivo, incondicional. Um amor que se enraíza em Deus. Um amor que pulsa mais depressa diante dos mais pobres. Um amor que celebra, que acredita, que perdoa e que proclama a justiça e a paz. Um amor que não desiste perante o egoísmo, o ódio ou a violência. Que eu, no meu Ministério Sacerdotal saiba permanecer neste amor de Jesus Cristo.
in Voz de Lamego, ano 96/32, n.º 4857, de 1 de julho de 2026



