No passado domingo, 19 de abril, a paróquia de são Facundo da Cunha recebeu o senhor Bispo da Diocese de Lamego, D. António Couto, em visita pastoral.
A aldeia da Cunha, pequena em número de habitantes, mas grande na sua fé, vestiu-se de encanto e beleza para receber o seu bispo, em ambiente de alegria e de festa.
A visita teve início com a receção a D. António, no Largo da Sagrada Família, prosseguindo a comunidade em cortejo até à igreja paroquial.
Seguiu-se a Missa Solene, presidida pelo Sr. D. António e concelebrada pelo Pe. José Alfredo e pelo pároco, Pe. Aniceto, animada pelo coro da paróquia, que contou com a presença do Anthony, filho da terra.
Presentes na celebração as autoridades civis, o Sr. Presidente da Câmara de Sernancelhe, Dr. Carlos Santos, e o Sr. Presidente da Junta de Freguesia, Sérgio Lopes.
Na reflexão da palavra de Deus, D. António Couto fixou-nos no Evangelho deste terceiro Domingo de Páscoa, com a narração da aparição de Jesus em três momentos, pondo-se a caminho com os dois discípulos de Emaús, revelando-Se na bênção e no partilhar do Pão, apontando para uma presença espiritual, não visível pelos olhos da carne, mas visível ao coração, aos olhos da fé, e a aparição aos Onze e outros discípulos, encerrados em casa, de portas e janelas fechadas com medo dos judeus.
D. António sublinhou a importância da vida em comunidade, com as suas dificuldades e hesitações, mas ainda assim comunidade que procura alimentar-se de Jesus Cristo, na oração e na entreajuda. Aqueles dois discípulos saíram da comunidade, deixaram-se abater pelo medo. “Desistiram então da esperança, e vão-se embora desiludidos, desencantados, desconcertados, dissentidos”. Eis quando Jesus surge e caminha com eles. “Duas pequenas observações. Primeira: Jesus é sempre aquele que caminha com…. E não caminha connosco apenas algum tempo. Caminha connosco de forma continuada… Segunda: não é a incapacidade deles ou a nossa que nos impede de reconhecer Jesus. Na verdade, o texto diz, na sua crueza gramatical, que os seus olhos estavam impedidos (…) é Deus que impede os nossos olhos de O reconhecerem agora. É, portanto, Deus que conduz a ação. Esta preciosa indicação desperta a nossa atenção, e deixa-nos alerta para o momento em que Deus vai desimpedir os nossos olhos para o reconhecermos”. Os olhos dos discípulos e os nossos também vão sendo abertos pela palavra de Jesus. “O caminho de Emaús é, afinal, o caminho das Escrituras! Levará o seu tempo até compreenderem que Jesus é o Messias exatamente enquanto Crucificado, que a Cruz não é a manifestação do seu fracasso, mas da sua incondicional fidelidade à vontade do Pai”. Jesus dá-Se a conhecer plenamente no partir do pão. “Ele entra para ficar com eles, connosco. Não, porém, apenas algum tempo, como fazemos nós quando visitamos os amigos. Ele entra para ficar connosco sempre, para presidir à nossa vida toda. Há quem estranhe que, entrando em casa alheia, Ele se ponha a presidir à mesa, ato que competiria ao dono da casa. Quem assim pensa esquece-se de que, afinal, foi Ele que presidiu ao caminho todo, foi Ele que fez as perguntas, foi Ele que corrigiu as respostas, foi Ele que abriu a Escritura, foi Ele que, com uma simulação pedagógica, provocou a nossa oração. Ele é, portanto, o Presidente, e é, nessa condição, que preside também à nossa mesa: recebe o pão, bendiz a Deus, parte o pão e dava (epedídou: imperf. de epidídômi), imperfeito de duração. Atitude que continua ainda hoje a verificar-se. É aqui que são abertos (por Deus) os nossos olhos, antes impedidos por Deus de reconhecer Jesus. Decifração da Cruz. Ele está vivo e presente. A sua vida é uma vida a nós dada. Sempre a ser a nós dada. É por isso que Ele desaparece da nossa vista (Lucas 24,31), mas não da nossa vida, em que fica mais presente do que nunca, presente para sempre, sem sombra de ausência” (Textos disponíveis: mesadepalavras.org)
Ele quer ficar connosco. Cabe-nos reconhecê-l’O e acolhê-l’O em nossa casa, em nossa vida. Estamos hoje reunidos porque Ele preside à Eucaristia e reparte a Sua vida connosco.
Um momento importante, no decorrer da Eucaristia, foi a administração da Santa Unção, sacramento que todos, ou quase todos, os presentes, receberam. D. António sublinhou, então, o cuidado com que Deus nos alimenta, com que Deus nos cura e anima. Todos, de uma forma ou de outra, estamos “doentes”, frágeis, necessitados do óleo da esperança e do conforto, da força que o Espírito de Jesus nos dá.
Depois de alimentar a alma, foi a vez de o corpo tomar alimento, num almoço que teve lugar na antiga escola primária, ao qual se juntou outro filho da terra, o Sr. Pe. Hermínio.
A comunidade, na pessoa do seu pároco, Pe. Aniceto, agradece a todos quantos se empenharam por preparar a Visita Pastoral, nos seus vários momentos, agradecendo encarecidamente ao Sr. Bispo pela sua presença simpática e pelas sábias palavras com as quais nos foi brindando. Por sua vez, D. António secundarizou o agradecimento a todos os agentes pastorais, sublinhando o papel do pároco e o seu cuidado pela comunidade, e garantindo a oração por todos e o mesmo acolhimento generoso quando algum dos paroquianos for a Lamego e o quiser visitar em sua casa, o Paço Episcopal.
Márcia Nascimento, Júlia Rocha, in Voz de Lamego, ano 96/22, n.º 4847, de 22 de abril de 2026



