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Santa Josefina Vannini, fundadora das camilianas

Santa Josefina Vannini, fundadora das Filhas de São Camilo, foi canonizada no 13 de outubro, do corrente ano de 2019, juntamente com a brasileira Irmã Dulce, primeira santa brasileira, da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus; Cardeal Newman, convertido do Anglicanismo, fundador do Oratório de São Felipe Neri, na Inglaterra; Margarida Bays, virgem, Terciária da Ordem de São Francisco de Assis e Maria Teresa Chiramel Mankidiyan, Fundadora da Congregação das Irmãs da Sagrada Família.

Judite Adelaide Vannini é a fundadora das Filhas de São Camilo, que estão presentes na cidade de Lamego. Daí também a inevitabilidade da Voz de Lamego dar destaque a esta Santa, pois de algum modo está à nossa porta.
Josefina Vannini nasceu em Roma, em 1859. Aos quatro anos de idade, perdeu o pai e, três anos depois, a mãe.
A data da sua Primeira Comunhão, que esperou com amor indescritível, foi também o germe de uma decisão por muito tempo pensada com especial carinho: dar-se a Deus e a Ele consagrar sua pobre vida, desejo que cultivou e fez crescer imperiosamente.
Aos 20 anos de idade pediu o ingresso no convento das Irmãs de Caridade. Em 2 de março de 1883, ingressou no noviciado de Siena.  Mas, por razões de saúde, foi obrigada a voltar para Roma, para o antigo pensionato onde recebera o diploma de instrutora. Esta prova causou-lhe grande sofrimento. No silêncio, teve de aplicar-se aos trabalhos manuais (bordado) para ganhar seu pão.
Posteriormente, foi novamente aceite ao noviciado e enviada à comunidade de Montenero (Leghorn), onde permaneceu até 1886, em seguida a Bracciano, até 1888, quando novamente teve de retornar ao pensionato. Era mais uma prova imposta pelo Senhor, que provava a pureza deste ouro no cadinho da humilhação. Os superiores definitivamente tinham decidido que não tinha vocação e por isto decidiram que voltasse aos afazeres do mundo.
A boa superiora do pensionato encontrou alojamento para ela nos arredores da cidade, e percebendo a piedade e a disponibilidade de Josefina, explicou-lhe que aceitariam de boa vontade que permanecesse entre elas, mas este tipo de vida não era compatível com seu caráter de profunda espiritualidade. Além de todos estes contratempos, teve de lutar contra as intenções de seu irmão Augusto, que tentava dissuadi-la da ideia de sua eventual consagração à Deus e a aconselhava a permanecer entre eles para formarem uma só família.
Aos trinta e poucos anos confiou-se aos cuidados de sua tia e madrinha Ana Maria.  Nessa altura todas as suas aspirações pareciam ter caído por terra, mas o Senhor a predispunha para outros horizontes sem, contudo, poupá-la de muitos outros sacrifícios e renúncias. Os frutos destes dois anos em que ali permaneceu, imprimiu nela ainda mais a qualidade incontestável de seu caráter, o grande abandono em Deus e a mais perfeita obediência ao seu diretor espiritual.

As raízes das Irmãs Camilianas
Numa conversa privada que teve com o Padre Luís Tezza, Josefina abriu a sua alma ao pregador.  Falou de seus projetos, dos seus malogros, das suas aspirações. Enquanto o Padre Luís a ouvia pela primeira vez, descobria nela rara sabedoria e uma grande maturidade espiritual. E viu nela um belo instrumento a ser usado numa fundação em amadurecimento.  Tinha chegado o momento em que Deus realizaria nela plenamente a Sua vontade.
O Padre Tezza não perdeu tempo: expondo-lhe os detalhes de uma fundação movida pelo espírito de São Camilo de Lellis, propôs que nela colaborasse. Josefina pediu um tempo para dar uma resposta definitiva. Após refletir sobre a proposta diante de Deus, finalmente aceitou o encargo, colocando-se à inteira disposição do Padre Luís Tezza.  Assim, na humildade e no silêncio, surgiu a nova fundação.
Obtendo permissão de seus superiores eclesiásticos, no dia 2 de fevereiro de 1892 (festa da Purificação de Nossa Senhora e aniversário da conversão de São Camilo de Lellis), Josefina e duas companheiras foram empossadas num pequeno apartamento.  Mantiveram-se na solidão e no silêncio, na oração e no trabalho, santamente preparavam-se para receber o ingresso na Congregação Filhas de São Camilo.  Foi na festa de São José, em 19 de março de 1892, que Judite tomou o nome definitivo de Irmã Maria Josefina, tornando-se superiora da pequena comunidade.
É fácil imaginar a suprema alegria do Padre Luís, das suas primeiras filhas e dos camilianos presentes. Uma nova congregação tinha nascido, limitada, extremamente pobre, mas com plena confiança em Deus, na Santíssima Virgem, em São José, escolhido como protetor específico, sob a proteção paterna de São Camilo de Lellis.

O ocaso da vida
Em 1909, a fundadora atingiu a idade de cinquenta anos. Exatamente neste ano Nosso Senhor concedeu-lhe a alegria desejada por muito tempo: a aprovação eclesiástica do Instituto. O cardeal vigário, Pedro Respighi, por decreto firmado em 21 de junho de 1909, criava os piedosos asilos, junto à Congregação de Direito Diocesano e aprovava as suas constituições.
Madre Josefina Vannini nunca teve grande saúde. Os sofrimentos da adolescência, as desilusões da juventude, o peso da fundação, a apreensão e o amor intenso e dedicado às suas religiosas, consumiram-na. O seu coração estava cansado e não batia regularmente.
Por ocasião de uma visita à uma comunidade, regressou extremamente esgotada e caiu à cama. Estavam todos conscientes de que a Madre tinha chegado a uma fase em que talvez não pudesse continuar nas suas funções de superiora. Ela mesma havia compreendido isto e com muita resignação facilmente aceitou os afetuosos cuidados de suas filhas.
Pouco tempo de vida lhe restou-lhe.
Estando próximo o fim, repetia aos padres que a assistiam frases de amor e de fé em Deus e na Virgem. Na véspera da sua morte quis ver as suas filhas, dando-lhes as últimas instruções. Morreu serenamente na noite de 23 de fevereiro de 1911, aos cinquenta e dois anos, em Roma.
Em apenas 19 anos de trabalho, Madre Josefina Vannini conseguiu difundir o seu providencial instituto na Itália, na França, na Bélgica e na América do Sul. Hoje as Filhas de São Camilo trabalham em quatro continentes: Europa, Ásia, África, América.
A causa de canonização foi enviada ao tribunal do Vicariato de Roma em 1955.
Em 16 de outubro de 1994 João Paulo II a proclamou Beata.

O Processo de Canonização
O processo diocesano para a canonização foi instruído de 1 a 4 de dezembro de 2015, na cúria de Sinop no Brasil, por um suposto milagre a favor do trabalhador da construção civil Arno Celson Klauck, que estava a trabalhar na construção de uma casa de repouso para idosos, em homenagem precisamente a Vannini e construída com a ajuda de toda a comunidade civil e religiosa da cidade. O homem, tendo perdido o equilíbrio, caiu do terceiro andar dentro do poço do elevador, com um voo de cerca de 10 metros 80 centímetros. Dentro do poço, havia pedaços de madeira e ferro e, no fundo, também havia água da chuva acumulada; no entanto, Arno saiu ileso. A consulta médica, realizada em 27 de setembro de 2018, definiu o caso: "A ausência de qualquer comprometimento significativo, tanto somático quanto psíquico, necessariamente esperado em um caso de precipitação a partir da altura de 10 metros 80 centímetros, apesar da presença de fatores de proteção, não encontra explicação científica".
A invocação do trabalhador ao cair, "minha mãe, ajuda-me", nasce no contexto de uma profunda devoção à Bem-aventurada e constitui um forte apelo à humanização do cuidado. Para ela, o paciente nunca é um número ou um peso, mas o destinatário de um serviço a ser realizado com discrição, gentileza, cuidado, sensibilidade, capacidade de levar o homem a Deus, de abri-lo à fé.
Para Madre Vannini, o sofredor deve estar no centro de toda preocupação e interesse, e deve ser servido como o próprio Jesus: "Eu estava doente e cuidastes de mim" (Mt 25,36). Portanto, para os jovens e para os que buscam a vontade de Deus, Vannini é um modelo de abandono ao Senhor; enquanto para aqueles que vivem sem um ideal sério, é um estímulo à fortaleza e perseverança.


Fontes: Blogue - Heroínas da cristandade e Vatican News
in Voz de Lamego, ano 89/45, n.º 4532, 29 de outubro de 2019.

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