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Convívio Fraterno 1511

De 2 a 5 de outubro, decorreu o Convívio Fraterno 1511, no Seminário de Lamego. Sob o tema “Para que todos sejam um, como Nós somos um” (Jo 17, 22), 22 jovens tiveram oportunidade de viver esse encontro com o amor de Jesus Cristo a partir da verdade das suas vidas e do encontro com os outros. São agora enviados a partilhar a luz desse encontro com Cristo em toda a sua vida, na Igreja e no mundo. Fica o testemunho na primeira pessoa de uma jovem conviva do 1511:

Sou a Francisca, sou da paróquia de Penude e após recusar vários convites para os convívios anteriores, decidi que não podia adiar mais esta experiência.

Até à data perguntava-me sobre o que se iria lá passar e o porquê de ninguém poder contar nada, questionava-me se valia a pena ir, se faria sentido uma pessoa pouco crente participar. Mas hoje sei que Cristo nos chama para fazermos parte do seu plano de amor, e sei que me chamou na altura certa. Fui sem olhar para trás. Fui para reacender em mim esta chama. Com isto percebo que há experiências que não se conseguem explicar por palavras, porque aquilo que se sente vai muito além daquilo que se consegue dizer. O Convívio Fraterno 1511 foi, para mim, uma dessas experiências. Agora percebo o porquê do secretismo e do mistério. Cada pessoa vive e sente aqueles dias de maneira diferente e o secretismo é uma forma de não influenciar a experiência de ninguém, vivendo a própria experiência.

Durante aqueles dias o que mais me marcou foi o amor. Um amor tão puro, tão verdadeiro e tão difícil de explicar a quem nunca teve a oportunidade de o sentir. É bonito perceber como pessoas que, muitas vezes, mal se conhecem conseguem criar uma ligação tão forte, acolher-se sem julgamentos e fazer-nos sentir que pertencemos a algo maior. É como se, durante aqueles dias, o mundo lá fora ficasse em silêncio e o coração aprendesse a ouvir aquilo que realmente importa.

Mas, no meio de tudo isto, há algo ainda mais especial: o amor de Deus. Aquele amor que chega até nós mesmo quando não sabemos que precisamos dele. Um amor que não exige que sejamos perfeitos, que não nos pede para escondermos as nossas fragilidades e que nos lembra que nunca estamos sozinhos.

No Convívio Fraterno 1511, senti que Cristo se manifesta também através das pessoas que coloca no nosso caminho. Está na disponibilidade de quem nos ouve, no carinho de quem nos abraça, nas palavras que chegam no momento certo e nas lágrimas que, por vezes, dizem muito mais do que qualquer conversa. Percebemos que o amor de Deus não é apenas algo de que ouvimos falar: é algo que podemos sentir dentro de nós e reconhecer nos outros.

E talvez seja isso que torna esta experiência tão difícil de explicar a quem nunca a viveu.

O maior desafio começa quando o convívio termina e regressamos à nossa vida de sempre. É nesse momento que somos convidados a levar connosco um pouco daquele amor, a partilhá-lo com quem nos rodeia e a recordar que Jesus continua presente, mesmo quando já não estamos naquele lugar. Afinal, não faria sentido viver um amor tão grande se não tentássemos fazê-lo chegar também aos outros.

Hoje, levo comigo a certeza de que o Convívio Fraterno 1511 foi muito mais do que alguns dias da minha vida. Foi uma experiência que me permitiu sentir, de uma forma especial, o amor de Deus e perceber que esse amor se torna ainda mais bonito quando é partilhado. Porque, quando nos deixamos tocar por Ele, algo em nós muda, e aquilo que recebemos transforma-se também naquilo que damos, por isso, não tenham medo, vão sem olhar para trás.

 

Francisca Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 96/46, n.º 4871, de 21 de outubro de 2026.

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