No dia 21 de fevereiro de 2026, realizou-se um Encontro Sinodal destinado, de modo particular, aos membros dos Conselhos de Pastoral Paroquial e a outros agentes pastorais da Zona Pastoral de Resende. O encontro decorreu nas instalações do Externato D. Afonso Henriques, em Resende, e foi promovido pela Pastoral Diocesana de Lamego, através dos irmãos em Cristo Nuno Nascimento, Luís Martinho e Carlos Esteves, equipa coordenada pelo Cónego Diamantino Alvaíde.
O encontro teve início com o acolhimento fraterno dos participantes provenientes das paróquias de Anreade, Cárquere, Felgueiras, Paus, Resende e São Martinho de Mouros, num ambiente de comunhão e proximidade. Seguiu-se a oração inicial, marcada pelo cântico “Somos a Igreja de Cristo, as pedras vivas do templo do Senhor”, pela escuta da Palavra de Deus, com a leitura do Evangelho segundo São Lucas (Lc 24, 13-35), e pela oração do Pai-Nosso, criando desde logo um clima de recolhimento e disponibilidade interior.
Na introdução ao tema do encontro, os dinamizadores convidaram à reflexão a partir da interrogação “Mudança de época ou época de mudança?”. Foi sublinhado que a Igreja vive atualmente um tempo novo, que não se reduz a uma crise passageira, mas corresponde a uma transformação profunda na forma de viver e testemunhar a fé. O modelo de uma Igreja sustentada pelo hábito e pelo reconhecimento social está a dar lugar a um novo modo de ser Igreja, mais consciente, mais minoritário, mas também mais evangélico. Este processo, embora possa gerar cansaço ou insegurança, é simultaneamente um tempo de graça, que apela à conversão do coração e à abertura confiante à ação do Espírito Santo.
Foi igualmente destacada a necessidade de passar do ritual ao encontro. Anunciar Jesus Cristo não se limita à repetição de gestos ou palavras, mas nasce de uma relação viva e pessoal com Ele. A pastoral autêntica não brota da obrigação, mas do encanto do encontro com Cristo. Só quem faz essa experiência pode anunciá-Lo com alegria e coerência, integrando a fé na vida quotidiana.
O tema da sinodalidade ocupou um lugar central na reflexão. Foi apresentada como um caminho que convida a Igreja a passar de uma pastoral centrada em tarefas para uma pastoral de relações, de decisões tomadas por poucos para processos de discernimento comunitário, e de uma Igreja fechada para uma Igreja missionária, próxima e acolhedora. Escutar com o coração, com empatia e humildade, foi apontado como uma atitude essencial do estilo sinodal.
Num segundo momento, os formadores explicaram os trabalhos a desenvolver, com base no Documento Final do Sínodo dos Bispos – Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação, missão. Reforçou-se que o Sínodo não é uma moda nem um evento isolado, mas um modo permanente de ser Igreja, fruto de um caminho iniciado em 2021. A sua receção nas Igrejas locais implica discernimento, conversão pessoal e comunitária, formação contínua e disponibilidade para experimentar novas formas de viver a fé e a missão.
Seguiu-se a dimensão mais prática do encontro. Os participantes foram distribuídos por seis grupos de trabalho, seguindo o método da conversação no Espírito, estruturado em oração, silêncio e partilha em três rondas. A questão orientadora foi: “Como podemos ser comunidades mais acolhedoras e fraternas?”. Cada grupo escolheu um moderador e um secretário, garantindo um ambiente de escuta respeitosa e discernimento espiritual. As conclusões foram posteriormente partilhadas em plenário, revelando sinais de esperança, mas também a consciência de que há ainda um caminho exigente a percorrer.
O encontro terminou com a Oração do Sínodo. Em nome de todos, o Cónego Tozé Ferreira, Vice-Arcipreste de Cinfães–Resende e pároco de Resende, agradeceu a presença dos participantes, dos representantes e de toda a Pastoral Diocesana.
Num contexto marcado por rápidas mudanças sociais, culturais e religiosas, a sinodalidade assume-se como um caminho indispensável para a Igreja de hoje. Encontros de formação como este ajudam as comunidades a aprofundar a escuta do Espírito Santo, a promover a corresponsabilidade dos batizados e a renovar práticas pastorais. Uma Igreja que caminha em conjunto, em comunhão, participação e missão, torna-se mais fiel ao Evangelho e mais capaz de responder, com esperança e criatividade, aos desafios do nosso tempo.
Diác. Eduardo Pinto, in Voz de Lamego, ano 96/14, n.º 4839, de 25 de fevereiro de 2026.



