«Mãe de Deus, Senhora da alegria, Mãe igual ao dia, Maria. A primeira página do ano é toda tua, Mulher do sol, das estrelas e da lua, Rainha da Paz, Aurora de Luz, Estrela matutina, Mãe de Jesus e também minha, Senhora de janeiro, do Dia primeiro e do Ano inteiro». Assim iniciou, o nosso querido bispo, D. António, a sua homilia do passado dia 1 de janeiro, primeiro dia do ano que é dedicado a Santa Maria, Mãe de Deus e que, desde 1968, é o Dia Mundial da Paz.
Com grande júbilo acorreram à nossa amada Catedral, que também se encontra em festa pelo facto de se celebrar os 250 anos desde a sua última dedicação, um grande número de fiéis, alguns sacerdotes, seminaristas e o nosso D. António a fim de celebrarem juntos a grande solenidade da Virgem Theotokos (Mãe de Deus). Na nossa diocese de Lamego não foi só esta solenidade que ocupou o seu olhar e coração, mas a graça de se iniciar a adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento, na distinta capela do Espírito Santo, situada na carreira central da cidade.
Na homilia, o nosso bispo fez referência a «uma cidadezinha no sul da Alemanha, perto de Friburgo, que tem adoração perpétua desde a II Guerra Mundial», onde teve oportunidade de aí também poder rezar.
No final da Eucaristia, estando a terminar o tradicional beijo ao Menino Jesus, algo de inesperado e misterioso aconteceu: a luz falhou na Catedral e na cidade de Lamego. Na catedral, apenas continuou a funcionar o órgão, que não deixou de exaltar a grandeza de Deus. Mesmo às escuras, a solene procissão, em que o Santíssimo Sacramento era levado pelo Senhor bispo, saiu da Sé e percorreu a avenida que nos leva à capela de destino. A escuridão da noite era como um pano de fundo, contudo a casa da Nossa Querida Mãe, isto é, o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios estava, surpreendentemente, iluminado.
Finalmente, depois desta tão singular procissão, chegámos à Capela do Espírito Santo. Precisamente quando o nosso bispo entrou, com Jesus exposto na sagrada custódia, a luz voltou a iluminar a cidade. Depois, o Senhor D. António colocou no altar o Santíssimo Sacramento que, a partir desse momento, passaria a ser adorado dia e noite naquela capela. Assim se iniciou a adoração perpétua na nossa cidade e diocese de Lamego com a intenção de rezar, particularmente, pelas vocações na nossa diocese, sejam elas sacerdotais, religiosas e matrimoniais.
Resta, por fim, agradecer: Obrigado querido Bom Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, que nunca abandonais o vosso povo, mas antes o olhais com amor e nele realizais as vossa maravilhas; obrigado querida Mãe Santíssima porque foi por Vós que Jesus veio ao mundo e Sois vós quem nos leva até Ele; obrigado D. António Couto, nosso querido bispo por ter desejado e incentivado a adoração perpétua e assim nos mostrar a vontade de Jesus em ser adorado, servido e reverenciado nesta pequenina, mas singela diocese; obrigado a todos os que pertencem ao departamento diocesano da pastoral vocacional, às congregações religiosas, à equipa de coordenadores e a todos, que muito se dedicaram para que este dia chegasse; obrigado a quantos vos disponibilizastes e comprometestes a adorar Jesus dia e noite, amando o Amor que tantas vezes não é amado.
Que desta tão especial capela, que contém o Rei dos reis, irradie a toda a nossa amada diocese de Lamego a verdadeira luz que ilumina o nosso caminho até à eternidade e que acenda em cada coração a chama de amor vivo pelo Amor dos amores.
Carlos Almeida, Seminarista, in Voz de Lamego, ano 96/07, n.º 4832, de 7 de janeiro de 2026



