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Festa e romaria de Santa Eufémia de Pinheiros

A festa em honra de Santa Eufémia, na paróquia de Pinheiros, na Zona Pastoral de Tabuaço, encerra as festas (populares) do concelho e é, sem dúvida, das mais concorridas. A exceção é mesmo a festa do Município, em honra de São João Batista.

A devoção traz, em romaria e peregrinação, muitos devotos das paróquias de Tabuaço, mas também de paróquias de Moimenta da Beira e de Armamar. Ainda condicionados pela pandemia, pelas orientações da DGS e da CEP, este ano aumentou exponencialmente a participação em relação ao ano passado. Por outro lado, a festa centrou-se, pelo segundo ano consecutivo, na vivência religiosa. Do dia 7 ao dia 15 de setembro a Novena preparatória, que inclui a recitação do terço em honra de Nossa Senhora do Rosário, a celebração da Santa Missa e breve pregação. O dia 16 é dedicado a Santa Eufémia com afluência considerável de devotos. No dia seguinte, 17 de setembro, a Festa de Santa Bárbara, junto à Capela que a tem como padroeira.

Logo pela manhã, a primeira Missa, para pessoas que madrugam para cumprirem promessas, agradecer, suplicar ajuda a Deus por intercessão e Santa Eufémia. Tradicionalmente esta primeira Missa era para as cozinheiras, pois cedo se remetiam à cozinha para que quando a Missa da festa findasse, pudessem ter o almoço pronto a servir. Entre a celebração de uma e outra Eucaristia, o tempo de confissões, que mais uma vez não se propôs por juntar sempre muita gente, optando-se, para que as promessas fossem cumpridas pela confissão e absolvição geral no início da Missa festiva.

A pregação deste ano esteve a cargo do sacerdote mais recente da Diocese de Lamego, o Pe. João Miguel, que regressou à Paróquia agora como padre. A reflexão fez-nos ver como a Palavra de Deus se cumpriu na vida e no testemunho de Santa Eufémia. “Ninguém a despreze por ser jovem, tal como Timóteo para quem escreveu São Paulo na segunda leitura que escutamos. Pois como ele, Santa Eufémia é um modelo para os fiéis, na palavra, na maneira de proceder, na caridade, na fé e na pureza.

Eufémia, virgem de carne e corajosa de espírito, jovem de idade mas adulta na fé, vendo como os cristãos sofriam à custa da perseguição movida contra eles pelo imperador Diocleciano (284-305), decidiu declarar publicamente a sua fé e o seu batismo diante do procônsul Prisco, um dos mais tiranos juízes da cidade de Calcedónia.

Às mãos de Prisco, sofreu os mais cruéis tormentos que se manifestaram incapazes de a fazer negar a sua fé em Cristo. Resistindo às várias tentativas de violação, conservou-se virgem para a eternidade. Não conseguindo levar o seu intento avante, Prisco mandou-a lançar num fosso de leões que, contrariamente ao espectável, se aproximaram dela mansamente. Finalmente, Eufémia derramou o seu sangue a partir do seu coração, trespassado pela espada do carrasco ao serviço de Prisco no dia 16 de setembro de 303… Assim Eufémia, tal como Eleazar sobre quem escutamos na primeira leitura, perdeu a vida, deixando, com a sua morte, não só aos jovens, mas também à maioria do seu povo, um exemplo de coragem e um memorial de virtude”.

Depois da Missa seguir-se-ia a procissão com as imagens dos santos venerados nesta comunidade paroquial. Entretanto, os Bispos já sancionaram o regresso das procissões, mas tal informação não chegou em tempo útil para se organizar a mesma com devida segurança e segundo as recomendações das autoridades de saúde.

O segundo dia, celebrámos a Eucaristia em honra de Santa Bárbara, junto à Capela que tem a sua evocação. Esta festa traz sobretudo as pessoas da comunidade, é mais familiar, num registo mais íntimo, ainda que nos visitem algumas pessoas de outras comunidades.

Durante a pregação, o Pe. João Miguel, apresentou Santa Bárbara como exemplo de perseverança e coragem, na devoção expressiva à Santíssima Trindade. “… Quando Dióscoro se apercebeu que sua filha não praticava mais o culto aos deuses pagãos mas havia abraçado a nova fé em Cristo, ficou furioso e denunciou-a ao juiz que a mandou torturar, numa tentativa de a fazer renunciar à sua fé. Por não ter conseguido o seu intento, permanecendo Bárbara fidelíssima a Jesus, a quem servia com sua devoção, o juiz condenou-a à morte por degolação… Que o exemplo de Santa Bárbara, curada do paganismo pela fé em Jesus e resgatada para a fé no Deus verdadeiro que é a Trindade Santa, corrija o nosso sentido da verdade, nos ajude a praticar a justiça e a piedade, a fé e a caridade, a perseverança e a mansidão. Que a proteção de Santa Bárbara auxilie a nossa piedade a tornar-se numa fonte de lucro que é o de merecermos conquistar, com Cristo, a vida eterna”.

No momento pós-comunhão, o pároco agradeceu a todos os que colaboraram para preparar o espaço da celebração, proporcionando, nos dois dias, um acolhimento fidalgo a todos os que vieram de perto ou de longe. Ao Pe. João Miguel também uma palavra de grande estima e consideração, bem como as palavras sábias que nos dirigiu, orientando-nos para a única Palavra perene, a de Deus.

Finda a celebração da Santa Missa, e com o regresso do andor, com a imagem de Santa Bárbara, à Igreja Matriz, como que terminaram as festas por este ano, com o desejo vivo de que no próximo ano regressem os momentos mais populares da festa.

 

in Voz de Lamego, ano 91/43, n.º 4625, 22 de setembro de 2021