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Visita Pastoral a Vila Nova de Paiva: uma comunidade que caminha em conjunto

A Paróquia de Vila Nova de Paiva viveu, entre os dias 2 e 4 de outubro, a Visita Pastoral do Bispo da Diocese de Lamego, D. António Couto. Foram três dias de encontro e proximidade, que permitiram ao nosso Bispo conhecer diferentes instituições e realidades da comunidade, encontrar-se com pessoas de várias gerações e terminar esta visita com a celebração do Sacramento do Crisma de quase 60 adolescentes e jovens.

A visita começou na sexta-feira, com a passagem pela ASSAP, pelo Lar de Idosos e pela Unidade de Cuidados Continuados, onde foi também celebrada a Eucaristia com a Santa Unção. Durante a tarde, D. António Couto visitou a Câmara Municipal, a GNR, os Bombeiros Voluntários, as escolas e o Centro de Saúde. Foram diferentes lugares e diferentes encontros, aproximando o Bispo das pessoas e das instituições que fazem parte da vida quotidiana de Vila Nova de Paiva.

O sábado foi particularmente dedicado à vida da comunidade paroquial. Ao final da tarde, na Igreja Matriz, o Senhor Bispo encontrou-se com os crismandos, grupos corais, colaboradores da Igreja e famílias da catequese. Um momento simples de encontro e partilha entre pessoas que, de diferentes formas, participam e ajudam a construir a vida da paróquia.

À noite, a Missa de Abertura da Catequese reuniu crianças, jovens, famílias e catequistas para o início de mais um ano. A celebração contou com uma participação muito significativa das crianças da catequese e foi animada pelo Coro de Pais e pelo Grupo Allegro, constituído por jovens e também ele nascido no contexto da catequese.

Ao longo da celebração foi recordado que a catequese é muito mais do que aprender conteúdos ou frequentar encontros. É um caminho para descobrir, escutar, confiar, testemunhar e seguir. Descobrir quem é Jesus e aquilo que Ele nos propõe; aprender a escutar a sua Palavra e também aqueles que caminham connosco; confiar, mesmo quando nem tudo é claro; testemunhar através da forma como vivemos; e seguir, fazendo da fé um caminho que se constrói ao longo da vida.

A presença das crianças, dos catequistas, das famílias, do Coro de Pais e dos jovens do Grupo Allegro tornou visível precisamente essa dimensão comunitária. A catequese não se faz apenas numa sala nem depende apenas do catequista. Cresce quando a família se envolve, quando diferentes gerações participam e quando aquilo que se vai descobrindo encontra lugar na vida da própria comunidade.

O ponto alto da Visita Pastoral aconteceu no domingo, com a Eucaristia Solene e a celebração do Sacramento do Crisma, no polivalente da Escola Secundária de Vila Nova de Paiva, presidida por D. António Couto e acompanhada musicalmente pelo grupo coral Redemptoris Mater.

Foram quase 60 adolescentes e jovens que receberam o Sacramento da Confirmação, rodeados pelas suas famílias, padrinhos e por uma numerosa comunidade. Perante a reduzida dimensão da igreja paroquial, a celebração realizou-se num espaço diferente do habitual, que naquela manhã se tornou também lugar de encontro, oração e celebração da fé.

O Crisma foi antecedido por algumas semanas de preparação. Mais do que procurar transmitir respostas prontas, procurou-se criar espaço para conversar, fazer perguntas e pensar a fé a partir da vida concreta destes jovens: das famílias, dos amigos, da escola, das escolhas, das dúvidas e também dos sonhos próprios desta idade.

Ao longo desses encontros houve uma ideia que regressou muitas vezes: todos os dias podemos tentar ser um pouco melhores. Não melhores do que os outros, mas melhores na forma como tratamos quem está ao nosso lado, como estamos na nossa família e entre amigos, como ajudamos, agradecemos, pedimos desculpa ou somos capazes de reparar em quem precisa de nós.

Talvez seja esse um dos desafios quando celebramos o Crisma: não fazer dele um ponto de chegada. No dia seguinte, a vida continua. Continuam as aulas, os amigos, a família, as dúvidas, os projetos, os dias bons e os dias mais difíceis. Receber o Espírito Santo não significa passar a ter todas as respostas. Significa saber que Deus também está presente nessa vida concreta e receber a força para continuar a procurar, escolher, cair e recomeçar.

Foram três dias vividos em lugares e junto de pessoas muito diferentes: com os mais velhos e os doentes, nas instituições, nas escolas, entre aqueles que diariamente servem a comunidade, com as crianças da catequese, com as famílias e, finalmente, com os jovens que receberam o Crisma.

Talvez seja precisamente essa diversidade que melhor traduza o sentido de uma Visita Pastoral: o Bispo que vem ao encontro das pessoas onde a vida acontece e uma comunidade que se reconhece como parte de uma Igreja maior.

Para os jovens que receberam o Crisma ficou uma mensagem simples. Daqui a alguns anos talvez já não se recordem de muitas das conversas ou atividades destas semanas. Mas esperamos que permaneça pelo menos esta certeza: ninguém acerta sempre e cada novo dia traz consigo uma nova oportunidade para fazer melhor.

A Visita Pastoral terminou... o caminho da comunidade, esse, continua.

 

Miguel Rochinha, in Voz de Lamego, ano 96/44, n.º 4869, de 7 de outubro de 2026.

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