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07

Abr

2017

D. António Couto apresentou livro de Mons. Arnaldo

Num lugar favorecido de beleza e adornado de silêncio (só o murmúrio das águas que passam caminhando no leito de um regato o parecem querer quebrar), num templo opulento em arte e recheado de história, beleza que nos encanta, silêncio que nos tonifica, história que nos educa e arte que nos tira quase a respiração, reuniram-se na passada quinta-feira, dia 30, pelas 16 horas, umas dezenas de interessados para assistirem à apresentação de mais uma obra notável de Mons. Arnaldo Cardoso, esta como título “Representações Artísticas do Cântico dos Cânticos em Portugal”.

A presidir, na mesa de honra, para além do autor, D. António Couto, Bispo da Diocese, a quem coube a tarefa da apresentação do livro, o Presidente da Câmara de Tarouca, Valdemar Pereira, D. Jacinto Botelho, Bispo Emérito, Mons. Joaquim Rebelo, Vigário-Geral, e Zita Seabra, proprietária e directora da Alêtheia Editores, a quem pertence a edição.

Abriu a sessão o senhor presidente da Câmara de Tarouca para saudar os membros da mesa e todos os assistentes, e para agradecer ao autor e à editora da obra o facto de terem escolhido este belo e histórico local do seu concelho para ato tão importante.

A Dra. Zita Seabra levantou-se logo depois para saudar os presentes em seu nome e no da sua editora, manifestar a sua admiração pela grandiosidade da igreja do mosteiro, e expressar a sua honrosa satisfação por ver aí apresentado um trabalho da sua editora.

 

D. António Couto, apresentador oficial da obra, deu então início à sua comunicação, saudando também os presentes, realçando a beleza do templo e oestado primoroso da sua conservação dizendo que ela é “tão bela como o Cântico dos Cânticos”, e trazendo à colação a biografia do autor da obra com exaltação especial do “seu berço familiar, como ponto de partida para muitos voos e muitos êxodos” que fazem parte da sua história de vida e do seu currículo cultural.

Entrando no tema em causa, com a beleza, a profundidade e a novidade que caracterizam as suas intervenções, sua Ex.cia exaltou em simultâneo o livro bíblico e as representações artísticas com ele relacionadas e que fazem parte da obra apresentada, dizendo,  entre outras belas apreciações: “Quem pintou, desenhou ou esculpiu as imagens reportadas nesta obra, leu, meditou e saboreou o Cântico dos Cânticos”. “O Cântico dos Cânticos é o maior e mais belos de todos os cânticos”. “Carregado de sensualismo e erotismo, é o mais belo hino ao amor alguma vez escrito.” “Um poema de amor que tem por personagens um amante e uma amada. Dos 117 versículos do livro, 109 são ditos por ela, para ela ou a respeito dela.” “Um poema de amor ao nível do humano, mas tradução de outro amor, ainda mais profundo, ainda mais intenso: o amor de Deus pelo Seu Povo, e o amor do Povo pelo seu Deus”. “Para um leitor esclarecido e sábio, impõe-se, salta à vista que o amado do texto é Deus”. “A noiva - a amada, é convidada por Deus - o amante, a amá-lO e segui-Lo, na liberdade da entrega e do amor”. “O amor de Deus por nós e o nosso amor por Deus é o amor íntimo e profundo tão belamente retratado por este preciosíssimo livro da Escritura”.

A concluir a sessão, depois de agradecer ao apresentador as suas belas palavras e de explicar a génese e o conteúdo do livro, Mons. Arnaldo Cardoso conduziu os presentes à sacristia da igreja e do mosteiro – um espaço que nos surpreende e maravilha sempre com a sua beleza e exuberância – e, em palavras sábias que nos desvendaram os tesouros do seu tecto, explicou a todos o significado das oito imagens que formoseiam os seus tramos em correspondência com os 8 capítulos do “Cântico dos Cânticos” e das legendas que adornam cada um delas: uma retirada do belo livro da Escritura, e outra de poemas clássicos do paganismo. E acrescentou: tal mistura de textos e de imagens comprovam mais uma vez que os nossos mosteiros eram cadinhos de cultura, admiradores e salvadores de uma literatura clássica que sem eles teria desaparecido, concluindo:

Nos minutos que passavam na sacristia, preparando-se para celebrar a Eucaristia, os monges tinham neste tecto imagens e textos bem ricos, que os ajudavam a meditarna exaltação do verdadeiro e fiel amor humano como imagem do verdadeiro e fiel amor divino, manifestado na Cruz e celebrado na Eucaristia.

Parabéns ao nosso autor: pela ideia inicial nascida numa visita à sacristia há alguns anos, pela obra vinda à luz e pelo seu conteúdo em texto e em imagem, e pelas surpreendentes explicações que nos deu a todos.

Ficamos-lhe muito gratos.

 

 

Pe. Joaquim Correia Duarte, in Voz de Lamego, ano 87/21, n.º 4406, 4 de abril de 2017