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11

Out

2017

Assembleia do Clero 2017

No dia 5 de outubro, mais uma edição da Assembleia do Clero, no Seminário de Lamego, subordinado ao lema pastoral (2017-2018), enformado pela parábola do Bom Samaritano. “Cuidar o ministério, cuidar os ministros”. A questão: como cuidamos, olhamos e tratamos o irmão presbítero “caído” à beira do caminho?

 

O tempo significa amor


Depois da Oração, tomou a palavra o Senhor Bispo, D. António Couto, que nos situou à volta da temática proposta à diocese: caridade, amor, o serviço de Jesus.

O nosso trabalho tem a ver com o paroxismo do amor, “a máxima intensidade do amor, que passa pela atenção uns aos outros”. O olhar deve estar fixo em Jesus. “Não devais nada a ninguém a não ser o amor” (Rom 13,8).

 

O tempo significa amor. O tempo que dedico às pessoas ou às coisas revela o amor que lhes tenho. “Ao que concedo tempo, concedo amor… Se dedico apenas 5 minutos às pessoas é porque não amo”. O ícone do Samaritano: amar com o corpo inteiro, a tempo inteiro.

 

O primado da comunhão (presbiteral)

 

De seguida, Pe. João Carlos, Pró Vigário Geral e responsável pelo Departamento para a Vida e Ministério dos Presbíteros apresentou o painel de oradores e o enquadramento dos temas propostos.

Pe. José António, pároco vários anos em Penedono, onde semanalmente promovia encontros informais com outros sacerdotes e, por conseguinte, foi-lhe proposto que refletisse sobre “o valor dos encontros informais na construção do presbitério”. O Pe. José António sublinhou o primado da comunhão entre sacerdotes. A palavra que melhor deveria definir o sacerdote: presença. A ausência destrói a comunhão. Ao longo da vida absorveu o testemunho de sacerdotes que estavam sempre presentes, mesmo que não tomassem a palavra, sempre presentes nos encontros com outros sacerdotes, sempre alegres a acolher os colegas que passavam. A presença fortalece a comunhão. Sacramento da presença. É o mais importante. Viver como padres, viver com alegria. “Tal como a cor está para a pintura, assim a alegria para a vida” (Van Gog).

 

Equipa Sacerdotal: Partilha, experiência e gratidão

 

Ao Pe. José Augusto Marques, pároco de Resende, foi solicitado o “Testemunho de uma equipa sacerdotal inter-geracional”, que mantém com o Pe. Martins, e agora com o Pe. Tozé, e antes com o Pe. Miguel Peixoto. Segundo o próprio era uma equipa sacerdotal improvável, face à grande diferença de idades, de origem, de formação. A improbabilidade tem um fundamento que torna tudo possível: Jesus Cristo. O Pe. José Augusto aproveitou a ocasião para enaltecer a postura do Pe. Martins, a sua abertura à novidade e às sugestões pastorais. Comunicação com todas as pessoas; a capacidade de dar a volta aos problemas, sem dramatizar; homem de Igreja, nunca deixando de atender às comunidades e aos colegas, vida orante.

 

Bondade, simplicidade, afabilidade do presbítero

 

O Dr. Manuel Ribeiro, leigo há muito comprometido em Igreja, sobretudo na Paróquia da Sé, que lançou o primeiro desafio de Jesus: sede perfeitos como o Vosso Pai celeste é perfeito. Um propósito comum a sacerdotes e leigos. As palavras e gestos devem ser sempre anúncio do Evangelho. A oração, a leitura e meditação da Palavra de Deus, a participação na Eucaristia, são o alimento de todos os cristãos. Bondade, delicadeza, cuidado no trato, disponibilidade, coerência e transparência, são valores que se pressupõem no sacerdote, extensível a todo o cristão. Prontidão para ouvir, compreender, para perdoar, para consolar. Os sacerdotes devem promover a participação dos leigos.

 

Importância dos encontros

 

Houve depois tempo para algumas intervenções, sublinhando-se sobretudo a importância de nos encontrarmos e de fortalecermos os laços de amizade. Na palavra final, o Sr. Bispo frisou que todos precisamos de todos. À medida que os problemas se adensam maior a necessidade de contarmos uns com os outros.

A Assembleia do Clero terminou à volta da mesa.

 

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 87/45, n.º 4431, 10 de outubro 2017