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21

Jun

2017

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo - 2017

Na passada quinta-feira, 15 de junho, a cidade de Lamego viveu festivamente a Solenidade do Corpo de Deus. Apesar das celebrações matutinas, a Sé encheu-se, à tarde, para a Eucaristia, presidida por D. António Couto, e a solene Procissão com o Santíssimo Sacramento que percorreu algumas das ruas das paróquias de Almacave e Sé.

A festa do Corpo de Deus proporciona, em muitas paróquias, um esforço singular dos seus membros para o solenizar desta celebração, nomeadamente a Procissão. Terras há em que são longos e coloridos os tapetes de flores que se fazem desde a madrugada para acolher o Senhor que passa e abençoa pessoas e bens.

Também nas duas paróquias da cidade de Lamego assim acontece. E se o trânsito contínuo dificulta o arranjo das ruas, pessoas há que lançam pétalas ao Senhor e colocam as melhores colchas nas janelas e varandas. É verdade que tal número vai diminuindo, o que também se explica com o crescente esvaziamento de algumas ruas e casas.

Mas, às 16h, a Sé estava repleta de fiéis para o início da Eucaristia, presidida pelo nosso bispo, D. António Couto, acompanhado ainda por D. Jacinto Botelho, alguns sacerdotes e um diácono. Como habitualmente, na assembleia estavam também presentes os membros das Irmandades do Santíssimo, de grupos e movimentos eclesiais, bem como os responsáveis da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, dos Militares e das Forças de Segurança. O Coro da Catedral animou, com as suas vozes, a celebração eucarística.

 

 

Comer a vida de Jesus


Na homilia, D. António Couto sublinhou a singularidade da celebração e convidou todos a contemplarem as palavras e os gestos “explosivos” de Jesus, quando “provoca” os seus discípulos a “comerem a sua carne e a beberem o seu sangue”. Não se trata de um convite ao canibalismo, mas de um seguimento radical de quem se identifica plenamente com o Mestre e se compromete no seu seguimento.

A grande surpresa é um Jesus que não diz: tomai e comei a minha sabedoria, a minha inocência, a minha santidade, a minha divindade, tudo o que de sublime há em mim; mas sim: tomai e comei a minha carne, o meu sangue. E carne e sangue não indicam a fisiologia de um corpo humano, mas a totalidade da sua humanidade, como se Jesus dissesse: tomai como alimento, energia e luz, a dor e o amor, a debilidade e a liberdade que eu mostrei com a minha vida!

 

Caminhar com o Senhor


No final da Eucaristia, a Procissão percorreu algumas das ruas das paróquias de Almacave e Sé. E foram muitos os que se incorporaram no solene cortejo e caminharam com o Senhor, cantando, rezando, guardando silêncio. É verdade que os passeios já não estão repletos de crentes e curiosos como há alguns anos, mas continua presente o respeito, o silêncio e a fé de quantos aparecem.

O calor que se fez sentir afastou muitos, mas importa sublinhar a devoção de quantos participaram e louvar a disponibilidade de quantos ajudaram no desenrolar da cerimónia. Que o Senhor a todos abençoe e acompanhe com as Suas graças.

 

Algumas ausências


A reposição do feriado possibilitou o retomar da vivência desta Solenidade à quinta-feira, apesar de alguns fiéis ainda não terem dado conta da alteração. Com efeito, nas nossas paróquias muitos houve que não guardaram o dia santo e continuaram as suas ocupações. No litoral, convidados pelo calor que se fez sentir, muitos optaram pela praia. Daí que se possa questionar a oportunidade em transferir este dia santo para o domingo seguinte. Sem qualquer tentação facilitista, será que o manter da celebração a meio da semana favorece ou dificulta a sua vivência?

Por outro lado, a tradição convidava as paróquias do arciprestado de Lamego a juntarem-se, à tarde, na Sé, para participarem nas celebrações. A verdade é que o número das paróquias presentes tem diminuído e daí a ausência dos seus membros, bem como das respectivas cruzes paroquiais.

Por último, uma palavra sobre o Cabido da Catedral, talvez inoportuna, mas resultado do que se observa e que não passa despercebido a quantos participam nas celebrações. Ao longo dos anos, os fiéis habituaram-se a ver aquele grupo eclesiástico a acompanhar o Senhor, devidamente identificados pelas suas vestes. Nos últimos anos, tal visibilidade tem vindo a diminuir, o que leva alguns a perguntar se o Cabido está em vias de extinção.

 

JD, in Voz de Lamego, ano 87/32, n.º 4417, 20 de junho 2017