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20

Jul

2015

Nota Pastoral de D. António sobre a Visita da Virgem Peregrina à Diocese de Lamego

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NOTA PASTORAL SOBRE A VISITA DA VIRGEM PEREGRINA

À DIOCESE DE LAMEGO

  1. A Virgem Peregrina de Fátima vai percorrer, entre os dias 26 de julho e 09 de agosto, os nossos caminhos pedregosos, até chegar à porta do coração destes seus filhos amados que habitam sobre o chão e sob o céu da nossa Diocese de Lamego. Muitas vezes somos nós que demandamos Fátima, procurando acolhimento e remédio no seu coração maternal. Agora é ela, nossa Mãe e Senhora, que vem carinhosamente visitar-nos a nossa casa. Recebamo-la, pois, amados irmãos e irmãs, com amor intenso, e com todas as nossas portas abertas.
  1. A Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa sobre a Visita da Virgem Peregrina às Dioceses de Portugal, de 15 de abril passado, recomendava vivamente que se fizesse desta Visita uma grande porta aberta para a Fé e para a Evangelização, e lembrava particularmente a participação na Eucaristia, a celebração dos Sacramentos da Reconciliação e da Unção dos Doentes, a adoração ao Santíssimo Sacramento, a oração do rosário em família.
  1. Maria canta a música de Deus, e no seu íntimo guarda sempre as Palavras ardentes que lhe chegam de Deus, dos anjos, dos pastores, compondo-as (symbállousa) no seu coração maternal (Lucas 2,19; Bento XVI, Verbum Domini, nº 27). Maria não é, portanto, uma simples ouvinte da Palavra; ela é uma extraordinária compositora, sempre encantada, sempre ocupada na busca intensa de novos acordes para dizer o inefável.
  1. E é assim que ela vem, silenciosa e sorridente, ao nosso encontro, amados irmãos e irmãs: silenciosa, porque não pode perder a alta frequência que a faz caminhar em sintonia com os passos de Deus; sorridente, porque vem ao encontro dos seus filhos queridos. Talvez venha mesmo trauteando a melodia do Magnificat, e talvez nos envolva mesmo nessa enleante litania de amor. Esta é, irmãos e irmãs, a «via mariana» da simplicidade e da ternura e da proximidade de uma Igreja bela e evangelizadora, «em saída», como quer e pede o nosso Papa Francisco, que caminha apressadamente sobre os montes com o Evangelho no coração e nos lábios (Lucas 1,39), como o mensageiro de notícias felizes de Isaías 52,7.
  1. Recebamos, pois, amados irmãos e irmãs, a Virgem Peregrina, não apenas com simpatia e fidalguia, mas com o coração em festa e comovido, movido pelos mesmos fios da Palavra de Deus que Maria, com tanto amor, tecia e entretecia. Filha da Palavra, torna-se Mãe da Palavra. Um grande SIM a habita, uma grande Alegria irradia, um grande Amor lhe enche a vida. A bússola da sua vida é o seu Filho Jesus. É Ele que Maria embala e ostenta. É para Ele que aponta sempre. Que seja Jesus também, amados irmãos e irmãs, a bússola da nossa vida, agora e sempre.
  1. E peçamos a Jesus também, pelas mãos maternais de Maria que agora nos visita, que faça e nos ajude a fazer da nossa Igreja de Lamego a Sua Igreja bela, habitada só por filhos e irmãos. Experimentemos, nestes dias de Visita da Virgem Peregrina, tecer laços de maior filialiadade e fraternidade.
  1. Embala-nos nos teus braços, Mãe, e sorri para nós com o teu sorriso maternal. Enche-nos de graça.

Lamego, 19 de julho de 2015

+ António, vosso bispo e irmão

 

20

Jul

2015

Visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima

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D. António Couto presiderá a Eucaristia, em Vila Nova de Foz Côa, assinalando o início da Peregrinação da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima na Diocese de Lamego. Por sua vez, D. José Cordeiro, Bispo de Bragança-Miranda estará no momento da passagem de testemunho de Bragança para Lamego.

 

 

10

Jul

2015

ESTATUTOS PARA OS CENTROS SOCIAIS PAROQUIAIS

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A Conferência Episcopal Portuguesa aprovou novos Estatutos para os Centros Sociais Paroquiais. As alterações terão de ser feitas obrigatoriamente até Novembro do corrente ano. Segundo a informação já enviada aos sacerdotes, via mail, haverá no início do próximo Ano Pastoral uma jornada de formação sobre este novo modelo. Entretanto será necessários que os Centros vão fazendo as alterações necessárias para se colocarem em concordância com a legislação em vigor.

 

Clique sobre a imagem ou no link se segue e será reencaminhado para downloads:

http://www.diocese-lamego.pt/index.php?option=com_phocadownload&view=category&id=1&Itemid=109

 

06

Jul

2015

Homilia de D. António Couto nas Ordenações Sacerdotais

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  1. Refere uma indicação do Pontifical Romano acerca da Ordenação dos Presbíteros que o Bispo faz a homilia, dirigindo-se ao povo e aos Eleitos, falando-lhes do ministério dos presbíteros, a partir do texto das leituras lidas na liturgia da palavra (n.º 123). É o que vou tentar fazer, caríssimos fiéis leigos, caríssimos Eleitos Fabrício e Valentim, caríssimos sacerdotes e diáconos, consagrados, seminaristas.
  1. Ezequiel é um profeta. Portanto, é frágil. Portanto, não é autorreferencial, não vive de si e para si, mas vive da força de Deus (é o que significa o nome de Ezequiel), que o atravessa e nele se manifesta como uma nascente, como uma música suave e melodiosa em palavras de namoro decantada (Ezequiel 33,32). Eis Ezequiel entre os exilados de Tel ʼAbîb, na Babilónia, com a sua harpa dependurada nos salgueiros do rio Cobar, atual Shatt Ennil, um canal de irrigação feito sair do rio Eufrates para irrigar a cidade de Nippur. É ali, àquela colina de Tel ʼAbîb, ou da primavera ou das espigas, que acorrem os judeus ali exilados para ouvir aquela doce melodia que o vento do Espírito faz ressoar, repassando as cordas da harpa de Ezequiel ali dependurada. É por 93 vezes que Ezequiel é interpelado por Deus com a locução «filho do Homem», para abrir logo ali duas avenidas: uma, que liga Ezequiel, «filho do Homem», ao «Homem» de Génesis 1, que recebe de Deus o mandato de cuidar com doçura da inteira criação, até pôr cada criatura a cantar com renovada emoção aquele: «Louvado sejas, meu Senhor…», que São Francisco de Assis, já cego, nos ensinou a entoar; outra, que abre caminho para aquele Jesus, manso e humilde de coração, que atravessa os Evangelhos, e que, por 82 vezes, se diz a si mesmo com a locução «Filho do Homem», assumindo o Homem, desde Génesis 1, e nele imprimindo a verdadeira imagem do Deus invisível (Colossenses 1,15).
  1. É este Jesus que vemos no Evangelho de hoje (Marcos 6,1-6), a sair de lá (ekeîthen) (Marcos 6,1), de lá, de Cafarnaum, da casa de Jairo, onde o tínhamos deixado no Domingo passado (Marcos 5,35-43). Sai da casa de Jairo, onde tinha encontrado e levantado do sono da morte uma sua irmã verdadeira, Talitha (feminino de Talyaʽ, que significa “Servo”, “Cordeiro”, “Pão” e “Filho”, decifrando claramente Jesus), e dirige-se agora para a sua pátria (pátris) (Marcos 6,1), ao encontro dos seus familiares e conterrâneos. Esta ida à sua pátria, ao encontro dos seus familiares e conterrâneos, tem o seu ponto alto no dia de sábado, e a sinagoga é o lugar desse encontro (Marcos 6,2). Trata-se, no Evangelho de Marcos, da primeira ida de Jesus à sua pátria, e é também a última vez, neste Evangelho, que Jesus ensina numa sinagoga (Marcos 1,21.23.29.30; 3,1; 6,2). É ainda significativo que o sábado seja mencionado, neste Evangelho, apenas mais uma vez, precisamente naquela manhã de Páscoa, «passado o sábado» (Marcos 16,1).
  1. E, portanto, tudo neste texto, neste encontro, assume um carácter denso e decisivo. Desde logo a escolha do termo pátria (pátris), que carrega consigo um significado mais intenso e mais amplo do que o mais habitual de «povoação», «lugar» ou «aldeia» (chôra, tópos, kômê). Com esta forma de dizer, este decisivo encontro com Jesus não fica apenas circunscrito a uma pequena região da Galileia, mas prefigura já o encontro de Jesus com o inteiro Israel. E a rejeição que lhe é movida ali, na sua pátria (Marcos 6,2b-4), aponta já para a rejeição que lhe será movida pelo inteiro Israel. Indo mais fundo: são mesmo já visíveis, desde aqui, as resistências ao Evangelho radicadas no nosso coração, e que o Quarto Evangelho porá a claro, dizendo de Jesus: «Veio para o que era seu, e os seus não o receberam» (João 1,11). Mas também esta primeira ida de Jesus à sua pátria, e esta última vez de Jesus a ensinar na sinagoga, e este sábado que aponta para aquele último «passado o sábado» (Marcos 16,1), devem despertar em nós evocações e apelos decisivos. Tudo o que tem sabor a primeiro e último carrega, como sabemos, um particular peso específico, uma carga ou descarga única de emoção. Sim, é a primeira vez que Jesus nos vem visitar! É a última vez que vemos Jesus a ensinar na nossa terra! E este sábado já a passar, já passado, deixa-nos à beira do tempo novo da ressurreição e da missão!
  1. É aí que vos deixo, caríssimos Eleitos Fabrício e Valentim, no limiar mistério e do ministério, no limiar da missão. A última vez como Diáconos, a primeira vez como Presbíteros. Fazei sempre tudo com particular intensidade e emoção. Como se fosse sempre a primeira vez, como se fosse sempre a última vez! A vossa missão é simultaneamente crepuscular e auroral. Morrei para vós mesmos; dai vida aos vossos irmãos e irmãs. Como Moisés. No último dia da sua vida, não chora, não se lamenta, não olha para trás, mas empurra o povo de Israel para a Terra Prometida. O Livro do Deuteronómio cabe todo, narrativamente, no último dia da vida de Moisés. Podia ter o tom de uma despedida, mas é uma das mais belas auroras que algum dia despontou nas páginas da Escritura. Assim também Ezequiel, assim Jesus, assim Paulo. Todos completamente ao dispor de Deus e dos seus irmãos e irmãs. Dizia Deus, hoje, para Paulo: «Basta-te a minha graça» (2 Coríntios 12,9), a que Paulo responde bem, confessando: «Quando sou fraco, então é que sou forte» (2 Coríntios 12,10).
  1. Caríssimos irmãos e irmãs, caríssimos sacerdotes e diáconos, caríssimos Eleitos. Permiti que vos deixe ainda uma advertência: amai mais, louvai mais, admirai-vos mais, estremecei mais, espantai-vos mais! Todos teremos certamente reparado que aqueles conterrâneos de Jesus sabiam tudo acerca de Jesus: a sua terra de origem, os nomes dos seus familiares, profissão e residência. Sabiam isto tudo, mas não sabiam de onde (póthen) lhe vinha aquela sabedoria única e os prodígios que realizava.
  1. Permiti ainda que vos diga, caríssimos irmãos e irmãs, que às vezes, por termos os olhos tão embrenhados na terra, nas coisas da terra, não conseguimos ver o céu! Veja-se a iluminante cena da cura do cego de nascença, narrada em João 9. Em diálogo com o cego curado, os fariseus acabam por afirmar acerca de Jesus: «Esse não sabemos de onde (póthen) é» (João 9,29), ao que o cego curado responde, apontando assim a cegueira deles: «Isso é “espantoso” (tò thaumastón): vós não sabeis de onde (póthen) Ele é; e, no entanto, Ele abriu-me os olhos!» (João 9,30). Que é como quem diz: só não vê quem não quer! Tal como o cego, e fazendo uso da mesma linguagem, também Jesus «estava espantado» (ethaúmazen), lê-se no Evangelho de hoje, com a falta de fé dos seus conterrâneos (Marcos 6,6). Note-se bem que a falta de fé aqui assinalada não é apenas a negação de Deus. É a rejeição de Jesus em nome de uma errada concepção de Deus. Podemos mesmo dizer que se rejeita Jesus para salvar a honra de Deus! Veja-se bem até onde pode chegar a nossa cegueira!
  1. Amados irmãos e irmãs, caríssimos Eleitos. Tomai hoje verdadeiramente conta de Jesus, que Ele tomará conta de vós! Tomai hoje verdadeiramente conta do Evangelho, que o Evangelho tomará conta de vós! Caríssimos Eleitos, vivei com amor, estremecimento, espanto e emoção os sacramentos que realizareis, sobretudo a Eucaristia e a Reconciliação. Como diz o Pontifical Romano, «Recebei a oferenda do povo santo para a apresentardes a Deus. Tomai consciência do que vireis a fazer; imitai o que vireis a realizar, e conformai a vossa vida com o mistério da cruz do Senhor». Amen.

 

Lamego, 05 de julho de 2015, Dia do Senhor e de Ordenações Sacerdotais

+ António, vosso bispo e irmão

 

17

Jun

2015

Homilia de D. António Couto na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

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(Imagem de Arquivo)

CORAÇÃO PARA SEMPRE ABERTO

  1. Passa hoje, no calendário litúrgico desta sexta-feira, a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, que assinala a presença viva, próxima e intensa de um amor sublime e de uma esperança nova, refletida no rosto, no coração e no horizonte de cada ser humano. Esse horizonte novo brota do coração aberto de Jesus Cristo, fogo ardente de amor e de sentido que enche de luz os nossos passos, tantas vezes andados na penumbra e no escuro. São Paulo diz bem aos cristãos de Éfeso que, antes de terem sido encontrados por Jesus Cristo, viviam «sem esperança e sem Deus no mundo» (Efésios 2,12). A questão, entenda-se bem, já não é apenas viver sem Deus, no desconhecimento (agnôsía) de Deus. É viver sem Deus no mundo, no meio de nós, pertinho de nós, connosco. Sim, se repararmos bem, sem a presença de Deus no mundo, também a nossa habitação fica desabitada, uma espécie de câmara escura, e fica sem sentido a nossa vida. Sem Deus no mundo, pode haver apenas pequenas e inúteis deduções, como quem deduz o céu da terra ou o Último do penúltimo.
  1. Com Deus no mundo, muda tudo. É o céu que desce à terra, é o Último que enche de sentido o penúltimo. Fica habitada a nossa habitação, e um sentido novo rebenta o nosso escuro duro. Sim, o coração aberto do Deus humanado enche-nos de luz e de esperança. Enche-nos de Jesus, de cujo lado aberto saiu sangue e água (João 19,34): o sangue do Cordeiro que assinala as umbreiras das nossas casas (Êxodo 12,22-23) e lava as nossas túnicas brancas (Apocalipse 7,14); a água, que é o Espírito Santo, que vem para nós da humanidade crucificada e glorificada de Jesus, e alumia a nossa inteligência e o nosso coração de filhos, ensinando-nos a dizer: Ab-ba! Do lado aberto do primeiro Adam adormecido nasceu Eva (Génesis 2,21-22). Do lado aberto do novo e último Adam adormecido nasce a Igreja!
  1. Aí está então, amados irmãos e irmãs, o mistério por Deus dado a conhecer e a amar (Efésios 3,8-19) (o conhecimento incha; só o amor edifica), a fonte da nossa vida verdadeira, as nossas habitações (êthos) habitadas de sentido, os nossos hábitos (éthos) luminosos e branqueados. Habitação diz-se, na língua grega, êthos. A habitação é a casa, é a Igreja, a Casa bela habitada por filhos e irmãos. Hábito diz-se éthos, de onde vem «ética», que é a norma para viver na Casa, é o amor e a alegria de que os filhos e irmãos, que vivem na Casa, devem andar sempre revestidos. Habitação e hábito! Oh admirável mundo novo, belo e sublime, que Deus não se cansa de oferecer aos seus filhos amados.
  1. Veja-se outra vez este admirável solilóquio divino, que o Livro de Oseias hoje nos oferece. Diz Deus: «Quando Israel era um menino, Eu o amei. Fui Eu que ensinei a andar Efraim, que os tomei nos meus braços, mas não conheceram que era Eu que cuidava deles! Com vínculos humanos Eu os atraía. Com laços de amor, Eu era para eles como os que erguem uma criancinha de peito contra a sua face, e me debruçava sobre ela para lhe dar de comer» (Oseias 11,1-4).
  1. Um Deus maternalmente debruçado sobre nós. A tão admirável amor condescendente, só podemos responder com adoração e contemplação, dizendo com São Paulo: «Àquele, cujo amor, agindo em nós, é capaz de fazer muito mais, infinitamente mais do que possamos pedir ou conceber, a Ele seja dada a glória na Igreja e em Cristo Jesus, em todas as gerações, pelos séculos dos séculos. Ámen» (Efésios 3,20-21).
  1. Sagrado Coração de Jesus, fazei o nosso coração semelhante ao vosso, neste dia belo e luminoso em que consagramos ao vosso Coração para sempre aberto a nossa Diocese de Lamego, as suas crianças, jovens, adultos e velhinhos.

 

Lamego, 12 de junho, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

+ António, vosso bispo e irmão

Publicada na Voz de Lamego, n.º 4318, ano 85/31, de 16 de junho de 2015